Rotina Pré-natal

obstetrícia

“Doutora, quando é minha próxima consulta de pré-natal?”

Escuto tanto essa pergunta no meu consultório e outro dia estava pensando se você sabe o que realmente significa e qual o passo-a-passo desse cuidado durante a gestação. Lógico que me deu vontade de dividir contigo. Vamos lá?

O Pré-Natal é o acompanhamento clínico que diminui o risco de complicações da gravidez, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Segundo a OMS, o número mínimo de visitas ao médico é de 8 consultas ao longo de, aproximadamente, quarenta semanas.

Na prática, consideramos adequado para uma gestação de baixo risco uma consulta mensal entre o diagnóstico e as 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas, e semanais a partir das 37 semanas.

Nos próximos posts vou contar pra você como é, mês a mês, a rotina de exames de um pré-natal ideal. Fica ligada aqui pra não perder nenhum mês!

A Consulta ante natal e o primeiro mês

Para a mulher que faz planos para engravidar, o acompanhamento começa antes mesmo do diagnóstico de gravidez.

Checar se as vacinas estão em ordem, realizar exames ginecológicos e prescrever vitaminas. Tudo isso garante uma gestação mais segura e saudável para a mulher e para seu futuro bebê.

Assim que a gravidez é confirmada são pedidos alguns exames de sangue importantes, como sorologias, hormônios tireoidiano, glicemia, hemograma, tipagem sanguínea, entre outros.

Em seguida a gestante é orientada sobre as vacinas que deverão ser tomadas, principalmente influenza, hepatite B (em pacientes suscetíveis) e a dTPA, normalmente administrada no 3º trimestre.

O primeiro ultrassom é esperado com ansiedade e, normalmente, é realizado por volta das 7 semanas, momento em que é possível visualizar o embrião e os batimentos cardíacos. Esse exame é importante para confirmar a datação e determinar se a gestação é única ou múltipla.

Aqui uma curiosidade: 

Você sabia que abortamentos espontâneos ocorrem em 20% das gestações conhecidas?
Mas na verdade o número deve ser bem mais alto (até 75% em alguns estudos), porém muitos acontecem tão precocemente que a mulher nem chega a ter consciência da gravidez.

A maioria dos abortos espontâneos estão relacionados a alterações genéticas fetais e pouco têm a ver com o grau de atividade da gestante.

Por isso, é sempre bom tentar manter os pés no chão no primeiro trimestre, ou pelo menos até a 8ª semana, a partir da qual a taxa de abortamentos espontâneos cai muito.

O segundo mês de gestação

Na segunda consulta é momento de definir com o casal que exames serão realizados no final do primeiro trimestre para o rastreamento das trissomias (anomalia genética causada pela presença de um cromossomo extra no material genético do bebê):

  • NIPT (teste de triagem pré-natal não-invasivo) realizado a partir de 10 semanas a partir de amostra sanguínea da mãe.

  • Ultrassom morfológico de primeiro trimestre, com aproximadamente 12 semanas.

Terceiro e quarto mês de gestação

Nesta fase da gravidez podemos repetir algumas sorologias em pacientes suscetíveis. Com a melhora das náuseas o ganho de peso é as vezes significativo, e pode necessitar de alguns ajustes nutricionais e na atividade física.

Quinto mês de gestação

Nesta etapa da gestação realizamos mais um ultrassom morfológico – o de segundo trimestre – com medida transvaginal de colo uterino.

Nesse exame importante é avaliada toda a morfologia fetal, e olhado com atenção o comprimento do colo do útero, um importante marcador de prematuridade.

Nas pacientes suscetíveis realizamos mais sorologia e continuamos prestando atenção no peso e pressão arterial da gestante e na saúde do bebê.

É uma das fases mais gostosas da gravidez! Já temos barriga, começamos a sentir os movimentos do bebê, mas sem o mal-estar do 1º trimestre nem o peso e cansaço do final. Ótimo momento para organizar o quartinho e enxoval.

Sexto mês de gestação

É nesta fase do pré-natal que realizamos o exame da curva glicêmica (nas pacientes com glicemia de jejum normal), que permite o diagnóstico do diabetes gestacional.

Caso necessário, mais testes de sorologia em pacientes suscetíveis. E a avaliação de ganho de peso e pressão arterial segue firme.

Sétimo mês de gestação

Quando viável, é neste mês que realizamos um ultrassom obstétrico, exame que nos permite avaliar o crescimento fetal, a circulação placentária e o líquido amniótico.

Caso a gestante seja Rh- e seu parceiro Rh+, é neste momento que administramos de imunoglobulina anti-D na paciente.

Seguimos com sorologias nas pacientes suscetíveis e avaliação de ganho de peso, pressão arterial.

A partir deste mês as consultas passam a ser quinzenais.

Aqui mais uma curiosidade: A doença obstétrica de maior mortalidade no Brasil aparece justamente no 3º trimestre – a pré-eclâmpsia. Uma forma de hipertensão gestacional que pouco tem a ver com a hipertensão crônica. Por isso nessa fase redobramos a vigilância com a pressão, mas também com inchaço e ganho de peso excessivo, que podem ser os primeiros sintomas.

Oitavo e nono mês de gestação

Talvez nestes meses pode ser realizado um novo ultrasom obstétrico para avaliar o crescimento fetal, a circulação placentária e o líquido amniótico.

Em casos selecionados pode ser realizado o cardiotocografia ante-parto, uma avaliação de vitalidade e bem estar fetal.

Sorologias de terceiro trimestre são realizadas, assim como cultura de secreção vaginal e manutenção da avaliação de ganho de peso e pressão arterial.

Até a 37ª semana as consultas são quinzenais, após esse período passam a ser semanais, já preparando a gestante para o parto.

Depois de 40 semanas de gestação

Caso não haja nenhuma doença materna ou fetal, enquanto aguardamos o parto, até aproximadamente 41 semanas, realizamos a avaliação da vitalidade fetal a cada 3 dias através do Perfil Biofísico Fetal.

Após 41 semanas o parto pode ser induzido, se não houver contra-indicação.

E então, o que achou desse passeio pelo pré-natal? Conta aqui pra mim se ele foi importante para você? Assim posso sempre preparar conteúdo de valor. Beijo.

Diana Vanni – CRM 100677

• Formada em Microbiologia e Imunologia pela McGill University, Montreal, Canadá

• Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

• Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, adquirido por meio de prova organizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

• Atuacão nos grupos de oncologia ginecológica (2003 a 2008) e cirurgia ginecológica minimamente invasiva (desde 2009) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Atendimento em vários hospitais referência, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital São Luiz, Hospital e Maternidade Pró-Matre Paulista.

• Fluente em Francês e Inglês.