Quem tem que o quê?

crônicas e saúde

Na última semana ela entrou no meu consultório para sua primeira consulta.

Vinte e cinco anos.

Por mais estranho que seja o motivo que a levou até mim, sei que é assunto comum e por isso estou aqui dividindo com vocês.

Logo no início disse que tinha me procurado por causa da ardência no pênis do namorado.

De imediato imaginei que ela estava com algum sintoma, mas não.

Ele tinha dito pra ela procurar uma ginecologista porque devia ser alguma coisa “com ela”!

Wait, it gets better!

 Também pediu pra que ela falasse comigo sobre sua incapacidade de chegar ao orgasmo apenas com a penetração.

Que nenhuma das suas outras namoradas tinha esse “problema”.

UAU!

Contei pra ela que se considerarmos que apenas 20 % das mulheres têm orgasmos regularmente, enxergamos 80% de chance desse cara ter sido enganado a vida toda.

Ninguém gosta de fazer o papel da frígida e, por mais que seja chato isso, muitas mulheres fingem orgasmo para satisfazer seus parceiros.

Avisei que quem tem que fazer uma visita no urologista pra saber o que tem de errado com o pênis DELE é o Mocinho! E já sugeri que ele estude um pouco a anatomia feminina. Pornografia não é uma boa fonte para aprender como se relacionar com uma mulher.

Depois da consulta fiquei pensando que, infelizmente, em uma sociedade em que a educação sexual virou sinônimo de libertinagem, situações como essas são muito comuns.

Lembrei de várias falas que escuto na minha sala:

“Eu vim porque não consigo engravidar.”

Eu. Vim. Sozinha. Afinal, nos reproduzimos por cissiparidade? E seu marido, fez exames?

“Não, você não pode pedir para ele? Sabe como é homem, né? Se depender dele não vai.”

Ah, eu sei! Deus me livre ir ao urologista!!! Vai que ele descobre alguma coisa? Muito melhor fazer uma fertilização de cara. Quase não é sofrido.

 O mesmo acontece com abortamento de repetição. Enquanto a mulher fica se remoendo por não conseguir SEGURAR o bebê, raríssimas vezes a outra metade da equação é investigada. 

“Nossa, o uso diário dele de maconha podia ser o problema?”

Claro que não, o espermatozoide dele é de kriptonita por acaso? Pra quê investigar se a mulher pode simplesmente passar a gravidez toda tomando injeções de anticoagulante?

Precisamos nos posicionar e ajudar nossos parceiros a compreender que ELES também precisam se olhar, se cuidar, se responsabilizar por suas atitudes. Buscar suas soluções.

Nossos fardos já são suficientemente pesados para termos que carregar os deles também, não acha?

Diana Vanni

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Críticas e sugestões sempre serão muito bem vindas.

Dra. Diana Vanni

CRM 100677

• Formada em Microbiologia e Imunologia pela McGill University, Montreal, Canadá
• Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
• Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, adquirido por meio de prova organizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
• Atuacão nos grupos de oncologia ginecológica (2003 a 2008) e cirurgia ginecológica minimamente invasiva (desde 2009) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
• Atendimento em vários hospitais referência, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital São Luiz, Hospital e Maternidade Pró-Matre Paulista.
• Fluente em Francês e Inglês.

Dra. Diana Vanni

CRM 100677

• Formada em Microbiologia e Imunologia pela McGill University, Montreal, Canadá

• Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

• Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, adquirido por meio de prova organizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

• Atuacão nos grupos de oncologia ginecológica (2003 a 2008) e cirurgia ginecológica minimamente invasiva (desde 2009) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Atendimento em vários hospitais referência, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital São Luiz, Hospital e Maternidade Pró-Matre Paulista.

• Fluente em Francês e Inglês.