Higiene Íntima

GINECOLOGIA

A história do sabão é bem antiga. As primeiras evidências da produção de materiais semelhantes ao sabão são de 2800 AC na antiga Babilônia. A fórmula continha água, uma base e óleo de origem animal. Por séculos e séculos a produção foi artesanal e era pouco usado na higiene pessoal.

A revolução industrial permitiu a produção em larga escala, primeiramente para a limpeza doméstica e industrial, e eventualmente pessoal

Na mesma época, uma melhor compreensão do papel da higiene na redução de micro-organismos patogênicos motivou campanhas para promover a higiene pessoal.

Sabão é saúde?
O sabão é uma molécula anfipática, o que significa que um lado é hidrofílico (gosta de água), e o outro é hidrofóbico (gosta de óleo). A membrana celular também é feita de moléculas hidrofóbicas e hidrofílicas. O sabão dissolve a sujeira e a gordura, e também a parte hidrofóbica de lipídeos da membrana celular, rompendo a parede da bactéria, enquanto a parte hidrofílica permite que ela seja levada facilmente pela água.

Estudos clínicos demonstram, de fato, que o hábito de lavar as mãos diminui a transmissão de doenças infecciosas

Mas não é só isso…

Se diminuir o “ataque” de bactérias patogênicas é importante, cada vez mais sabemos que também é preciso reforçar as defesas naturais. E entre as defesas naturais encontramos…

Bactérias??
O trato genital feminino é um ambiente imunológico peculiar que age como primeira linha de defesa do organismo contra infecções. Existe uma interação delicada entre as bactérias da flora vaginal normal, células do sistema imunológico, proteínas de defesa….

A vaginose bacteriana é uma alteração na flora vaginal facilitada pelo aumento do pH vaginal, diminuição consequente do número de bacilos de Doderlein e proliferação de bactérias patogênicas. Alguns estudos sugerem que a vaginose pode inclusive aumentar a incidência de parto prematuro e DST’s.

Já a candidíase é uma infecção fúngica mais comum em situações que favorecem a acidificação excessiva do meio vaginal.

O que interfere no pH vaginal?
O pH vaginal normal é ácido, de 3,8 a 4,5

Várias situações do cotidiano interferem no pH vaginal normal, tornando-o mais alcalino:
• Menstruação, principalmente se prolongada
• Relação sexual
• Alterações hormonais/menopausa
• Alimentação e transtornos metabólicos com diabetes
• Sabonetes e outros produtos de higiene em excesso

Cuidando da região vulvar e vaginal

• Use água morna e produtos suaves, e seque cuidadosamente a vulva com uma toalha; em caso de irritação pode-se usar um secador de cabelo
• O consumo de probióticos por via oral ou vaginal (formulações próprias para esse uso) pode auxiliar na manutenção do equilíbrio da flora vaginal
• O uso de sabonetes íntimos pode, em casos selecionados, auxiliar na manutenção do pH em situações especiais, mas não devem ser usados indiscriminadamente. Pergunte ao seu ginecologista se eles são indicados ao seu caso
• A vagina limpa-se naturalmente através da saída de muco; evite o uso de duchas íntimas
• Procure usar calcinhas de materiais naturais… se conseguir encontra-las… ou ao menos durma sem calcinha e evite o uso de absorventes diários
• Evite calcinha fio-dental
• Use sabão suave para lavar suas calcinhas e evite amaciantes
• Use papel higiênico macio
• Você pode usar absorventes internos, sem perfume, e coletores adequadamente higienizados; troque-os com frequência
• Evite o uso frequente de meia-calça e cintas
• Evite o uso de produtos que podem causar irritação vulvar: absorventes diários, vaselina, óleos, talco, desodorantes íntimos, lencinhos. Respeite o seu odor natural!

Diana Vanni – CRM 100677

• Formada em Microbiologia e Imunologia pela McGill University, Montreal, Canadá

• Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

• Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, adquirido por meio de prova organizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

• Atuacão nos grupos de oncologia ginecológica (2003 a 2008) e cirurgia ginecológica minimamente invasiva (desde 2009) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Atendimento em vários hospitais referência, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital São Luiz, Hospital e Maternidade Pró-Matre Paulista.

• Fluente em Francês e Inglês.