Gravidez Tardia

obstetrícia

As mulheres estão engravidando cada vez mais tarde.
Carreira, estudo, pretensões de consumo, imaturidade dos parceiros, maior expectativa de vida….as explicações são diversas e pessoais.
No entanto, é importante atentar-se às consequências de iniciar a vida reprodutiva tardiamente. De ano em ano, a fertilidade feminina cai, principalmente após os 35 anos, com varrições individuais, é claro. Essa queda de fertilidade é acompanhada de um aumento na taxa de complicações da gravidez e malformações fetais. Isso é fato. Sorry.

Cada vez mais os dados apontam também para queda na fertilidade e aumento na taxa de malformações com o avanço na idade paterna. Afinal, o espermatozoide não poderia ser a única célula do corpo a não sofrer as ações do envelhecimento. Portanto, para quem acha que só as mulheres envelhecem, think again.
O congelamento de óvulos, e cada vez mais de espermatozoides também, representa, para muitos, a principal forma de proteger a saúde reprodutora do envelhecimento. E ainda bem que essas técnicas estão se aprimorando ano após ano. Um alívio principalmente para os pacientes que enfrentam, quando jovens, doenças graves que podem comprometer a fertilidade.

Mas algo me incomoda nessa resposta meramente tecnológica. O congelamento de óvulos é caro, invasivo, parcial (congelamos os óvulos, mas o resto do corpo envelhece!)…. sem dúvida trata-se de um enorme avanço, que traz esperança a tantas mulheres, mas será esse mesmo o único caminho?

Existem questões sociais e de comportamento que precisam ser abordadas em paralelo.
Primeiramente, a resposta meramente tecnológica obriga novamente a mulher a lidar com as questões de saúde reprodutiva de forma individual e solitária. Não seria mais eficaz lutarmos por mudanças coletivas realmente disruptivas, como a licença parental? Os resultados nos países nórdicos que adotaram essas políticas foram surpreendentes. Será que se o ônus e o bônus da reprodução fossem repartidos de maneira igual entre homens e mulheres a maternidade seria tão postergada?

Além disso, no plano individual, é importante que haja uma reflexão a respeito do desejo – ou não !!!! – de constituir uma família. Para ser mãe, é necessário que haja uma organização em um planejamento, juntamente a seus outros projetos de vida. Sim, escolhas. Sorry again.
Por último, pouco se fala sobre a importância dos hábitos de vida na preservação da fertilidade. Cada vez mais os estudos têm demonstrado que, tanto para homens quanto para mulheres, o tabagismo, o sedentarismo, o uso de substâncias como a maconha e a obesidade, para dar alguns exemplos, têm grande impacto negativo. Essas informações precisam ser divulgadas de maneira mais clara para que as mulheres possam fazer escolhas mais informadas.

E se você realmente não quer nem ouvir falar no assunto antes dos 40 anos, tudo bem. O corpo é seu, a vida é sua. Apenas informe-se para não ser pega de surpresa.

Diana Vanni – CRM 100677

• Formada em Microbiologia e Imunologia pela McGill University, Montreal, Canadá

• Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

• Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, adquirido por meio de prova organizada pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

• Atuacão nos grupos de oncologia ginecológica (2003 a 2008) e cirurgia ginecológica minimamente invasiva (desde 2009) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

• Atendimento em vários hospitais referência, como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital São Luiz, Hospital e Maternidade Pró-Matre Paulista.

• Fluente em Francês e Inglês.